Archive for Abril 26, 2010

Conclusão

“Era uma vez a gente que construiu um convento”.

José Saramago

  • Com a apresentação deste blog concluímos que o verdadeiro protagonista do “Memorial do Convento” é o Povo.
  •  Fizeram grandes feitos, com grande esforço, capacidade e sofrimento para satisfazer as vontades do Rei.
  • José Saramago faz uma caricatura da sociedade portuguesa daquela época, ironiza e ridiculariza os elementos da corte, valorizando a importância do Povo que leva uma vida de preocupações.
  • A Construção do convento representa a repressão do Homem.
  • Gostamos de realizar este blog, apesar de todas as dificuldades que por fim foram ultrapassadas.

“Memorial do Convento” – Espaço e Tempo

Espaço Físico – em termos físicos, os espaços privilegiados são Lisboa e Mafra, locais que correspondem à construção dos dois projectos impulsionadores da acção e de observação privilegiada dos autos-de-fé como autoridade reguladora que representa o poder da Igreja;

Espaço Social – corresponde à recriação de ambientes da época, neste caso o Portugal do século XVIII marcado pelo Iluminismo trazido pelos estrangeirados e ao mesmo tempo pelo obscurantismo da população e o medo do poder da Inquisição.

  • É esta recriação de ambientes que aproxima o romance do romance histórico enquanto que a situação do narrador num tempo que não corresponde ao tempo cronológico, o distancia desse mesmo género literário.

O tempo da História –  A acção passa-se no ínicio do século XVIII (1711 – 1739), não é um tempo contínuo uma vez que o discurso do narrador cria espaços dentro desse período cronológico para o integrar num tempo uno em que passado, presente e futuro se misturam.

Tempo da diegese – (tempo durante o qual a acção se desenrola, segundo uma ordenação cronológica e em que surgem marcas objectivas da passagem das horas, dias, meses, anos…):

1711 – 1739. Ao longo do romance, as referências temporais são escassas e, muitas vezes, deduzidas. O crescimento e/ou envelhecimento das personagens também nos dá conta da passagem do tempo.

Tempo do discurso (modo como o narrador conta os acontecimentos, podendo elaborar o seu discurso segundo uma frequência, ordem e ritmo temporais diferentes):

Frequência temporal:

  • Discurso singulativo – o narrador conta apenas uma vez o que aconteceu uma só vez.
  • Discurso repetitivo – o narrador conta várias vezes o que aconteceu apenas uma vez.
  • Discurso iterativo – o narrador conta uma vez o que aconteceu várias vezes

A Construção do Convento

A construção do Convento de Mafra envolve o sacrifício da população pobre, fazendo muitas vítimas no carregamento da grande pedra para o pórtico. Saramago satiriza e ridiculariza os hábitos da realeza, desnudando o poder exercido pela elite e pelo clero sobre o povo oprimido.
Surgem constrangimentos da relação entre o rei e a rainha que estão na origem da sua construção;
Trabalho forçado dos trabalhadores que o construíram;
Denúncia da vaidade do rei e prepotência da Igreja;
A exploração dos humildes e a instauração de um clima de medo à custa da Ignorância do povo e da injustiça da história que serve o jogo de poder.
Ao contrário do que nos fazem supor as falsas pistas, não é a história do convento que se pretende contar mas a história dos sonhos materializados pela vontade dos homens que permitem criar um espaço de evasão e de liberdade. A construção do convento representa a repressão do homem.

O Destino Humano

O autor preocupa-se com a condição humana, levando-nos a reflectir sobre a miséria em que vivem os homens e que lutam até à exaustão para alcançar um mundo melhor. Esta luta revela-se difícil porque, sistematicamente, os poderosos exploram os mais frágeis. Saramago coloca-se ainda a questão “Onde é que nos leva a razão?” e conclui, então, numa visão realista, que esta não é impedimento para a falta de respeito pelo outro, a injustiça e as desigualdades.

Apesar de tudo, o sonho e a aliança entre pessoas que partilham as mesmas vontades podem fazer deste mundo um mundo diferente. Podemos então concluir que o autor faz uma caricatura da sociedade portuguesa da época, utiliza a ironia para ridicularizar algumas situações, nomeadamente os elementos da corte, opondo e valorizando a importância do povo que leva uma vida de trabalhos e preocupações e ainda assim consegue manter-se fiel ao espírito que leva à mobilização das vontades.

“Memorial do Convento” – O Povo

O Herói Colectivo: o Povo

O verdadeiro protagonista de Memorial do Convento é o povo trabalhador.
O povo atravessa toda a narrativa, numa construção de figuras que, embora corporizadas por Baltasar e Blimunda, tipificam a massa colectiva e anónima que construiu, de facto, o convento. Toda ela sobrevivia aterrorizada pelo Santo Ofício.
Esta faixa da população vive na completa miséria física e moral, visto que, a religião tem um grande efeito sobre esta classe social. Todo o povo possui uma moral estreita devido a esta influência, ou seja, crê em milagres, feitiçarias entre outros.

A crítica e o olhar mordaz do narrador enfatizam a escravidão a que foram sujeitos quarenta mil portugueses, para alimentar o sonho de um rei megalómano ao qual se atribui a edificação do Convento de Mafra.
A necessidade de individualizar personagens que representam a força motriz que erigiu o palácio-convento, sob um regime opressivo, é a verdadeira elegia de Saramago para todos aqueles que, embora ficcionais, traduzem a essência de ser português:

  • GRANDES FEITOS, COM GRANDE ESFORÇO E CAPACIDADE DE SOFRIMENTO

 

“Mas o grande (e todavia) inconsciente antagonista da

classe dominante são os inicialmente 10 000,depois 20 000

, 30 000 e por fim 40 000 operários abarracados

numa imensa “ilha da Madeira” junto aos canteiros da construção. (…)”

José Saramago

Entre estes dois pólos, o de uma corte barroca e o de uma multidão que sofre e dá quanto os seus músculos podem para simplesmente sobreviver, o narrador desenrola sucessivos painéis e episódios, ora patéticos ora burlescos, quando não de farsa trágica, que traçam, não apenas o pitoresco como as tensões e as fugas de humor da época joanina, mais exactamente de um período de cerca do primeiro terço do século XVIII.

José Saramago

 

“Mesmo que a rota da minha vida me leve a
uma estrela, nem por isso fui dispensado de
percorrer os caminhos do mundo”

 

José Saramago

 

José de Sousa Saramago nasceu no dia 16 de Novembro de 1922, na Azinhaga do Ribatejo, pequena freguesia do concelho da Golegã. A sua família de camponeses mudou-se para Lisboa quando ele tinha somente dois anos; todavia, Saramago não esqueceu as suas origens e visita frequentemente a sua terra natal.
Iniciou os estudos no Liceu Gil Vicente, mas por razões económicas apenas frequentou este local durante dois anos acabando por estudar na Escola Industrial Afonso Domingues.
Aqui aprendeu o ofício de serralheiro mecânico. Ao longo da sua vida foi também funcionário administrativo e desenhador nos Hospitais Civis de Lisboa. A par disto lia sempre centenas de livros, tendo sido o utilizador mais frequente da biblioteca do Palácio Galveias.
Casou com a pintora Ilda Reis em 1942, casamento que se manteve durante 26 anos.
Foi em 1947 ano em que publicou o seu primeiro título, o romance “Terra de Pecado”.
Embora os seus trabalhos não fossem reconhecidos como Saramago desejava, a sua actividade profissional já havia sofrido uma mudança: trabalhou doze anos numa editora, onde exerceu funções de direcção literária e de produção, e colaborou, como crítico literário, na revista Seara Nova. Já em 1972 e 1973 fez parte do prestigiado Diário de Lisboa, onde foi cronista, coordenador do suplemento cultural e comentador politico. Foi no ano de 1976 que a carreira do Nobel português passou a ser estritamente literária. Além de poeta e cronista, Saramago é também dramaturgo e contista. No entanto, as suas obras de literatura portuguesa contemporânea são as mais apreciadas.
Por fim, é casado desde 1988 com a jornalista Pilar del Rio, vivendo com ela na ilha de Lanzarote, nas Canárias.

Introdução

 Somos um grupo constituido por quatro elementos: Rute Dias; Cristina Pinto; Liliana Ferreira; Vanessa Duarte, e fazemos parte da turma 12ºN do Curso Técnico de Apoio Psicossocial da Escola Secundária/3 de Felgueiras.
A realização deste trabalho vem no âmbito da disciplina de Português, visto que nos foi proposto realizar um projecto sobre o “Memorial do Convento” – «Era uma vez a gente que construiu um convento», para que este fosse apresentado à turma.
A tarefa que nos foi proposta implica fazer uma breve descrição dos dados biográficos de José Saramago, assim como, o verdadeiro protagonista e Herói do “Memorial do Convento”, «O Povo».